“Questão política” impediu José Silvério de ficar na Rádio Bandeirantes em 1985

     Deu no blog Radioamantes, por Rodney Brocanelli.

     Uma “questão política” foi a responsável por José Silvério ter ficado pouco tempo na Rádio Bandeirantes no ano de 1985. O narrador esportivo falou brevemente sobre essa passagem meteórica pela emissora do Morumbi durante uma live organizada por Edemar Annuseck e transmitida via YouTube e Facebook. O assunto foi levantado por intermédio de uma pergunta formulada por um internauta de Novo Horizonte (?!).

     “É um assunto político muito difícil de entender. A Bandeirantes tinha um locutor muito importante que não aceitou minha ida e trabalhou muito nos bastidores contra mim”, disse. Embora não haja uma citação direta, José Silvério está falando de Fiori Gigliotti.

     A primeira passagem de José Silvério pela Bandeirantes durou de agosto a dezembro. Na época, ele tinha 40 anos. “A ida (…) para a Bandeirantes é a primeira transferência de impacto desde a saída de Osmar Santos da Pan para a Globo, em 77”, registrou assim o Estado de São Paulo, em reportagem de 21 de julho de 1985.

     Sem ambiente na Bandeirantes, José Silvério decidiu voltar para sua antiga emissora. “A Jovem Pan me convidou(…) e eu preferi voltar para a Jovem Pan, onde eu tinha mais tranquilidade para trabalhar do que na Bandeirantes, que revelou-se, na época, um verdadeiro inferno para mim”, afirmou.

     Edemar Annuseck disse em seguida que a emissora não tinha preocupações com as pesquisas de audiência realizadas pelo Ibope. “Se a Bandeirantes e a Globo não aparecessem bem, as coisas já ficavam complicadas”, disse.

     Sobre a questão do Ibope na ocasião, José Silvério disse que a Bandeirantes na época estava em terceiro e depois que ele chegou, passou a liderar o ranking. “Aí o outro locutor que estava na Bandeirantes, virou-se contra mim (…) e aí foi a confusão toda. Teve uma brigazinha no meio, mas deixa pra lá, já tem tantos anos”, falou.

     O comentarista esportivo José Hidalgo Neto, o Capitão Hidalgo, que também participou da live, fez uma intervenção importante sobre esse assunto. Ele disse que durante o sorteio da Copa do Mundo que seria disputada no México, em 1986, ele encontrou Flavio Adauto, enviado da Bandeirantes para esse evento. Ambos ficaram no mesmo quarto. Em um determinado dia, Hidalgo chegou bem no momento em que Flavio Adauto participava de uma conversa tensa com sua base.

     Pouco depois, em um almoço do qual participou o também comentarista Luis Mendes, Flavio Adauto contou alguns detalhes. Silvério devolveu à Bandeirantes as chaves de um automóvel que teria ganho como bônus pela transferência. Além disso, foi revelado um desacerto referente a escala dos jogos. Silvério e Fiori teriam direito a narrar dois jogos cada. No entanto, esse número foi mudado em favor de Fiori, que passaria a narrar três partidas, enquanto que Silvério ficaria com uma.

     Em sua volta à Jovem Pan, Silvério fez um contrato melhor e garantiu a presença da emissora na Copa do Mundo que seria disputada no México, em 1986. “Eu praticamente resolvi minha vida, por isso que hoje desempregado não tenho mais problema (sic)”, afirmou.

     O livro Fiori Gigliotti – O Locutor da Torcida Brasileira, escrito pelo jornalistas Paulo Rogério e Mauro Beting, traz duas versões. Em uma delas, Fiori teria dado um ultimato à direção da Rádio Bandeirantes ao tomar conhecimento de que a dupla iria dividir a transmissão dos jogos do Brasil na Copa. Na outra, Silvério teria desistido da ideia dessa divisão.

     A obra ainda conta sobre um encontro entre os dois narradores onde esse assunto foi abordado uma única vez, pouco depois da saída de Fiori Gigliotti da Bandeirantes. Silvério deu uma carona a Fiori após a participação da dupla em uma palestra para estudantes universitários. Conforme o livro, o diálogo teria sido um pedido de desculpas do veterano profissional.

     Fiori: “Pois é, Silvério…Eu te tratei tão mal e agora acontece isso”.

     Silvério: “Por isso, Fiori, que eu trabalho onde sou feliz e tenho a consciência de que a empresa não é minha”.

     35 anos depois, esse tema ainda parece ser um tabu para o próprio José Silvério.

     Mas a live não ficou apenas nisso. Outros assuntos relacionados ao futebol brasileiro foram abordados. Além de José Silvério e dos já citados Edemar Annuseck e José Hidalgo Neto participaram também Henrique Giglio, Sidnei Campos e Eduardo Vieira.